quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Besouro


Em termos de inovação narrativa, elenco e produção técnica o cinema Brasileiro tem lá suas falhas bem óbvias, primeiro no que diz respeito às mudanças o que dificilmente ocorrem no sistema de produção de um bom roteiro, apenas cineastas do calibre de Fernando Meirelles “Cidade de Deus” (2002), José Padilha “Tropa de Elite” (2007), Walter Salles “Central do Brasil” (1998) e Bruno Barreto “O Que É Isso Companheiro?” (1998) dentre outros são capazes de proezas inovadoras. Primeiro porque os gêneros nem sempre varia, ou seja, aquelas comedias sem muitas pretensões, depois as temáticas muitas vezes estereotipado, nunca explora os mais diversos meio como a própria cultura brasileira que é tão vasta e por última é a questão técnica e artística, os profissionais nunca vão ao seu limite, e os atores sem muito empenho até parece comercial de TV. Mais em 2010, estreou “Besouro”, um filme que possivelmente mostra nossa capacidade para gêneros mais diferente, mesmo deixando os outros aspectos fílmicos a desejar.

SINOPSE
No início dos anos 20, na Bahia já com o fim da escravidão os negros ainda viviam situações humilhantes, Besouro que ao se identificar com o inseto e sendo treinado pelo Mestre Alípio que em um dia, é morto por capangas assim gerando uma onda de conflito, então ele desafia a todos e mais do que isso, desafia principalmente as opressões, sofrimento e o preconceito. Besouro foi o maior capoeirista de todos os tempos, que ao se identificar com um besouro resolve desafiar ele mesmo as leis da gravidade e realizar a tal façanha, há quem diga na Bahia que Besouro realmente voava.

ELENCO
No recinto do filme Besouro, tem poucos méritos e muitos fracassos, um desses méritos é justamente o elenco, que no mesmo momento também é um fracasso, o fato de não ter sido formado por atores conhecido das novelas brasileiras deu ao filme uma aura diferente, embora o empenho dos atores em Besouro que não são conhecidos do público, em todos os campos do filme, das qualidades dramáticas as execuções das cenas de luta deixou um espaço incompleto.

PRODUÇÃO TÉCNICA
Inspirado no livro “Feijoada no Paraíso”, foram muitas especulações em tono da produção desde seu anúncio, utilizando as técnicas chinesas nas filmagens das cenas de luta com cabos de aço sob o coordenador Huen Chiu Ku dublê de Jet Li no filme “Rogue – O Assassino” (2006), que tem no currículo filmes como “O Tigre e o dragão” (2000) e “Kill Bill”, no qual metade do orçamento de 12 milhões foi destinada a sua equipe. Na trilha sonora está presente Gilberto Gil. A direção fotográfica às vezes faz uns movimentos no qual o espectador entre nessa aura de magia, misticismo e elementos religiosos presente no filme e no qual é bem explorado. Os cenários são deslumbrantes, mas também há uma falta de profissionalismo presente no filme como da edição e organização das cenas, como na realização das cenas de ação ou na sua falta o que é mais fácil.

DIRETOR
Estreante em longa-metragem, o publicitário João Daniel Tikhomiroff, que é um dos mais premiados do mundo desliza e cai completamente, mesmo com uma carreira repleta de conquistas e experiência, aqui ele faz um trabalho quase amador, mais o que de fato ele faz com perfeição e maestria é a publicidade, Besouro foi ovacionado mesmo antes de estrear e quando o dito acontece o que se vê é um filme sem estrutura, nem plano de voo, sem fôlego e nem motivação.
Besouro tinha tudo para ser um filme fabuloso, outro sucesso do filme é a questão da iniciativa de divulgação da nossa cultura independente de seus acertos e/ou atropelos, mas faltou muito para ele ser uma inovação na produção de filmes brasileiros e no gênero, e quando isso quase acontece há outro erro inadmissível, o enredo muito pouco chamariz de público principalmente jovem. Besouro não é o filme de ficar refletindo após seu término, só é lamentável como uma fonte é deixada a se perder no meio do nada.
Nota do Filme: 1.0.
Anny Kássio Crítico de Cinema.
Próxima Crítica: Matrix.

Nenhum comentário:

Postar um comentário